Escritora, artista plástica e mãe do rapper Emicida, ela lutava há mais de duas décadas contra o Lúpus; além dos artistas, ela deixa mais duas filhas, Katia e Katiane
Jacira Roque de Oliveira, conhecida como Dona Jacira, escritora, artista plástica e mãe do rapper Emicida, do cantor e empresário Evandro Fióti, de Katia e de Katiane, morreu nesta segunda-feira (28) aos 60 anos, em São Paulo. Ela estava hospitalizada na capital paulista. Até o momento não se sabe a causa da morte, mas a escritora vivia com Lúpus e fazia hemodiálise há mais de 25 anos. A morte foi confirmada a Marie Claire por amigos da família.
Nascida e criada na zona norte de São Paulo, Dona Jacira ficou conhecida primeiro pelo público dos filhos, e depois pelo seu próprio: uma detentora de saberes e fazeres, como ela mesma gostava de dizer.
Protagonista de uma trajetória dolorida, que incluiu maus tratos na infância, casamento na adolescência, a morte do marido e muita dificuldade financeira, Dona Jacira foi símbolo de resistência e reinvenção. Foi na maturidade que ela se voltou para a arte e para a imersão em suas raízes ancestrais.
Aplicou seus bordados em peças para um desfile da coleção Herança, da Lab Fantasma, de 2017, marca de moda que foi dos seus filhos, escreveu a autobiografia Café em 2018, lançou uma coleção de bonecas confeccionadas com retalhos descartados e botou um podcast no ar.
Morando sozinha, Dona Jacira passou a promover encontros em sua casa para pessoas de seu bairro. Sempre foi vista como liderança comunitária. “Fazia os Encontros da Colheita e da Semeadura. Depois começamos a falar também sobre alimentação, arte e cultura, que são assuntos que gosto muito. E isso foi aumentando. Em 2002 minha casa recebeu pessoas da África, de várias regiões do Brasil. E daí esse ano chegou a pandemia. Cuidar dessa festa é uma coisa que me deixa contente. E se estou feliz, fico animada”, disse em entrevista a Marie Claire, em 2020.
Também para MC, a artista plástica disse que a batalha contra a doença. “Tem dias difíceis também. Minha mãe mora na rua de casa e não vou lá porque venho do hospital todos os dias. Faço hemodiálise há 22 anos [na época, agora 25], tenho Lúpus. Agora mesmo estou falando do HC [Hospital das Clínicas]. Na casa da minha mãe também mora um sobrinho com esclerose múltipla. É complicado, temos que pensar em tudo isso porque podemos ser o condutor da doença. Às vezes bate uma angústia, estamos há tanto tempo sozinhos”, disse.
Dona Jacira se posicionou
Em abril, Emicida e Fióti anunciaram publicamente o fim da parceria empresarial e artística, que terminou de maneira litigiosa. Um processo ainda corre na 2ª Vara de Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo após acusações de movimentação irregular de um montante de cerca de R$ 6 milhões.
Na época, dona Jacira se posicionou em favor de Fióti. “As hienas nos rondam, querem nossa queda. Mas não conseguirão. Fióti, sua dor é nossa dor. Quando a injustiça se instala, com todo respeito ao jurídico, as mediações de conflitos e estratégias para restabelecer a ordem é muito importante. Porém eu, Dona Jacira, digo que a maldição lançada em forma de calúnia deve ser retirada. Pela boca que a lançou. Antes que seja tarde”, declarou ela nas redes sociais.
Fonte: Marie Claire