Por Marcello Ambrósio
A morte da soldado da Polícia Militar Gisele Santana, de 32 anos, ocorrida na última quarta-feira (18), está sob intensa investigação após familiares apresentarem provas de que ela vivia um relacionamento abusivo. Gisele foi encontrada com um tiro na cabeça no apartamento onde morava com o marido, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, no Brás, centro de São Paulo.
“Pai, vem me buscar”
Mensagens enviadas por Gisele dias antes da tragédia revelam um pedido desesperado de socorro. Em uma delas, ela escreveu: “Pai, vem me buscar porque eu não aguento mais”. Familiares afirmam que, após o casamento em 2024, a policial tornou-se uma pessoa retraída e sofria controle rígido do marido sobre suas roupas, maquiagem e contatos sociais.
Versões Conflitantes
- A versão do marido: O tenente-coronel alega que Gisele disparou contra si mesma com a arma dele enquanto ele estava no banho, logo após uma discussão sobre separação.
- A suspeita da família: Parentes afirmam que era Gisele quem planejava o divórcio e que o oficial já havia enviado vídeos ameaçadores apontando armas para a própria cabeça como forma de manipulação. Além disso, questionam o fato de o oficial ter tido autorização para tomar banho no local do crime antes da perícia completa.
Investigação
Embora o caso tenha sido registrado inicialmente como suicídio, a Polícia Civil agora o trata como morte suspeita. Um laudo pericial detalhado sobre a trajetória do projétil e exames residuográficos são aguardados para confirmar se houve luta corporal ou se o disparo foi efetuado por terceiros.
Gisele, que estava em uma fase ascendente na carreira e prestes a assumir um novo cargo no Tribunal de Justiça Militar, deixa uma filha de 7 anos. O caso reacende o debate sobre a urgência de canais de denúncia eficazes para mulheres dentro de instituições militares, onde a hierarquia muitas vezes silencia as vítimas.
