Mais de 300 migrantes foram atendidos, neste sábado (29/11), em um mutirão organizado pela Prefeitura de Belo Horizonte em parceria com entidades do terceiro setor. A proposta é oferecer orientação e apoio a pessoas que vêm de outros países em busca de oportunidades na capital mineira.
Foram oferecidos desde serviços básicos, como emissão de documentos e registro de estrangeiros, até orientações sobre como acessar os serviços públicos universais de saúde e educação disponibilizados pelo governo brasileiro a toda pessoa presente no território nacional.
Jessica Avelino, coordenadora de projetos sociais do Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados
O movimento superou as expectativas dos organizadores, conta Jéssica Avelino, do Serviço Jesuíta de Migrantes. Ela explica que a previsão era receber cerca de 200 migrantes, mas logo no início dos atendimentos o número já havia sido ultrapassado. “O objetivo é justamente alcançar mais pessoas. A gente tem um escritório aqui no Centro com atendimento todos os dias, mas geralmente fazemos esses mutirões para alcançar mais gente”, comemorou.
Alguns chegam sozinhos, outros migram com toda a família ou até mesmo com grupos de amigos, explica Jéssica. As motivações também variam: desde a fuga de conflitos políticos até a busca por serviços médicos pouco acessíveis em seus países de origem.
Johan Vargas, venezuelano, e sua família
É o caso do casal Ellianis Saray e Johan Vargas, que veio da Venezuela há cinco anos em busca de tratamento médico para o filho José, hoje com 13 anos. “Tem tratamentos aqui que lá não conseguiríamos”, afirma Ellianis.
“Graças a Deus, conseguimos no Odilon Behrens. Ele fez a reconstrução da uretra, fechou a bolsa de colostomia e segue fazendo as cirurgias”, contou Johan. No mutirão, a família — que trabalha no Brasil e já tem uma filha brasileira — buscava regularizar documentos e receber orientações sobre como solicitar o BPC para o filho mais velho.
Há ainda aqueles que vieram por amor — e que permanecem mesmo depois de o relacionamento terminar. Joseph Amilka, nascido no Haiti, deixou o país após o terremoto de 2010. Foi primeiro para o Chile e, depois, ao Brasil, após conhecer uma brasileira pelas redes sociais há sete anos. O romance não avançou, mas ele acabou conhecendo outra brasileira e hoje tem família formada no país.
“A gente faz a nossa história. Eu fiz a minha. Tenho casa, carro, emprego. No meu país temos muitos problemas. Com a situação de hoje, volto só para visitar. Mas o país da gente, o lugar de onde a gente vem, é sempre especial. Gostaria de voltar, mas não com a situação que tem atualmente”, afirmou.
Venezuelanos e haitianos são os principais grupos atendidos, mas também há cubanos e migrantes de outros países da América do Sul.
“Hoje, temos cadastradas nos serviços municipais mais de dez mil pessoas de 70 nacionalidades diferentes. O perfil varia muito, mas, em geral, são pessoas que vêm e permanecem por um período maior de tempo”, esclarece Janine Avelar, coordenadora de Políticas para Migrantes e Refugiados da Prefeitura de Belo Horizonte.
Ela comemora os resultados do evento e afirma que o sucesso do mutirão também ficou evidente com a participação de empresas parceiras que divulgaram vagas e selecionaram migrantes para postos de trabalho. “Em um momento em que o Brasil está com índices de desemprego muito baixos, isso mostra uma oportunidade real de inclusão, de retirar parte dessas pessoas da condição de não serem plenamente incorporadas ao país”, destaca.
Entre os serviços ofertados estavam apoio à regularização migratória, ações voltadas à empregabilidade — como emissão de Carteira de Trabalho, elaboração de currículo e processos seletivos —, além de orientações sociais. Também foram realizadas rodas de conversa, oficinas sobre consciência negra e empregabilidade, e atendimentos jurídicos nas áreas trabalhista, de família e cível.
O evento foi organizado pelo Serviço Jesuíta a Migrantes e Refugiados (SJMR Brasil), em conjunto com a Organização Internacional para Migrações (OIM Brasil), a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública de Minas Gerais (DPE/MG), o Cio da Terra, o Colégio Loyola e as Seias (Rede Filhas de Jesus). A PBH esteve representada pela Coordenação de Políticas para Migrantes e Refugiados, criada em 2024 e vinculada à Secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos.
Fonte: O Tempo