Por Marcello Ambrósio
Exames após exumação do corpo da soldado Gisele Santana revelam lesões cervicais. Depoimentos de socorristas apontam que marido, um tenente-coronel, estava seco e calmo após o disparo.
A investigação sobre a morte da policial militar Gisele Santana, de 32 anos, ocorrida em 18 de fevereiro, tomou um novo rumo após a exumação do corpo realizada na última sexta-feira (6). Peritos identificaram marcas no pescoço e no corpo da vítima, levantando a suspeita de que ela possa ter sofrido compressão mecânica (esganadura ou imobilização) antes de ser atingida por um tiro na cabeça.
Inconsistências na Versão do Marido
O marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, de 53 anos, afirmou à polícia que estava tomando banho quando ouviu o disparo. No entanto, o relato das equipes de resgate desmente essa versão:
- Corpo Seco: Socorristas do Corpo de Bombeiros afirmaram que, ao chegarem, o oficial estava inteiramente seco, sem marcas de água ou pegadas molhadas no chão, apesar de o chuveiro estar ligado.
- Arma Posicionada: Um dos profissionais relatou que a arma estava “bem encaixada” na mão da vítima, de uma forma atípica para casos de suicídio, o que o levou a fotografar a cena por suspeita.
- Sangue e Projéteis: O sangue já estava coagulado na chegada do resgate, indicando que a morte ocorreu antes do relatado, e nenhum cartucho de bala foi encontrado no local inicialmente.
A Presença do Desembargador e a Limpeza do Local
Câmeras de segurança registraram a chegada do desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan ao prédio cerca de uma hora após a morte. Ele subiu ao apartamento com o tenente-coronel. Pouco depois, o oficial saiu do imóvel com outra roupa e exalando um forte cheiro de produtos químicos.
Testemunhas também afirmaram à Polícia Civil que três policiais femininas entraram no imóvel para realizar uma limpeza horas após o disparo, o que comprometeu a preservação da cena do crime e a perícia da Polícia Científica.
Cronologia do Estampido
Uma vizinha relatou ter ouvido um disparo forte às 7h28. A primeira ligação do tenente-coronel para a polícia, entretanto, só foi registrada às 7h57 — um intervalo de quase 30 minutos em que ele afirmou que a esposa já estava morta. Oito minutos depois, em nova ligação para os bombeiros, ele mudou a versão, dizendo que ela ainda respirava.
O que dizem as defesas
- Tenente-coronel Geraldo Neto: A defesa afirma que ele não é investigado nem indiciado, e que tem colaborado totalmente com as autoridades.
- Desembargador Cogan: Informou, por meio de nota, que esteve no local apenas como amigo pessoal do oficial e que prestará esclarecimentos à polícia judiciária se necessário.
A Polícia Civil e a Corregedoria da PM aguardam o laudo oficial da tomografia e dos exames complementares da exumação para decidir se o caso será oficialmente reclassificado como feminicídio.
