Por Marcello Ambrósio
O setor de energia brasileiro amanheceu nesta quarta-feira (11) sob o impacto de um movimento estratégico — e necessário — de uma de suas maiores protagonistas. A Raízen, gigante do setor sucroenergético e de distribuição de combustíveis, oficializou seu pedido de recuperação extrajudicial na Comarca de São Paulo. O objetivo é renegociar uma dívida astronômica de aproximadamente R$ 65,1 bilhões, um montante que reflete os desafios financeiros acumulados pela companhia nos últimos anos.
Diferente de uma recuperação judicial comum, a modalidade extrajudicial sinaliza que a empresa já vinha “fazendo a lição de casa” nos bastidores. Com a adesão prévia de credores que detêm 47% das dívidas financeiras, a Raízen agora tem um prazo de 90 dias para convencer a maioria e homologar o plano. Na prática, a empresa está buscando um fôlego: quer trocar dívidas antigas por novas, converter parte do que deve em ações e, se necessário, vender mais ativos para fazer caixa — caminho que já vinha trilhando com a recente venda das usinas Continental e Santa Elisa por mais de R$ 4 bilhões.
Um ponto fundamental para o consumidor e para o mercado é que a recuperação é restrita ao âmbito financeiro (bancos e investidores). Isso significa que as operações do dia a dia permanecem intactas: os compromissos com fornecedores, revendedores de postos e parceiros comerciais seguem vigentes. A Raízen tenta, assim, estancar a sangria financeira sem paralisar as bombas de combustível ou as colheitas de cana-de-açúcar.
A crise na Raízen, que já havia sofrido um rebaixamento de nota pela agência Moody’s, é um sintoma de um cenário de juros e endividamento que tem pressionado grandes nomes do agronegócio nacional. Agora, o mercado observa atentamente se a estratégia de reestruturação consensual será suficiente para devolver a estabilidade a uma das engrenagens vitais da economia brasileira.
