Por Marcello Ambrósio
Casos de materiais cirúrgicos esquecidos dentro do corpo de pacientes ainda são uma realidade preocupante no Brasil. Dados oficiais mostram que mais de 500 cirurgias foram realizadas entre 2022 e 2025 apenas para retirar objetos deixados para trás durante outros procedimentos.
Entre os episódios estão uma pinça cirúrgica de 14 centímetros, uma compressa esquecida por cinco anos no abdômen de uma mulher e uma gaze que permaneceu por um ano no corpo de um paciente, causando dores, inflamações e riscos graves à saúde.
No interior de Minas Gerais, um idoso passou por uma cirurgia de emergência e, dias depois, exames revelaram uma pinça inteira dentro do abdômen. Ele precisou ser operado novamente, mas não resistiu. Já uma cabeleireira conviveu com dores intensas por anos após uma cesariana, até que exames apontaram a presença de uma compressa cirúrgica esquecida. Em outro caso, um homem só descobriu que havia uma gaze em seu corpo um ano após uma cirurgia considerada simples.
Levantamento da Universidade de São Paulo (USP) com quase 3 mil cirurgiões revelou que 43% já esqueceram algum objeto durante uma cirurgia e 73% afirmaram já ter operado pacientes para retirada de corpos estranhos. Gazes e compressas lideram a lista dos itens mais esquecidos.
Para evitar esse tipo de erro, hospitais seguem protocolos de segurança baseados em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que incluem a contagem rigorosa de todo o material antes, durante e após os procedimentos. Apesar disso, especialistas alertam que falhas humanas ainda acontecem e não deveriam ocorrer em hipótese alguma.
Especialistas reforçam que a segurança do paciente depende de treinamento constante, checklists e fiscalização rigorosa, para que erros evitáveis não continuem colocando vidas em risco.
