Por Marcello Ambrósio
A Polícia Federal deflagrou, nesta quinta-feira, uma nova fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). A ação, autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça, investiga um esquema de crimes financeiros, corrupção e organização criminosa. De acordo com as investigações, Costa é suspeito de negligenciar práticas de governança para favorecer negócios sem lastro com o Banco Master. Em troca das facilidades concedidas à instituição privada, o executivo teria recebido seis imóveis de luxo, avaliados em aproximadamente R$ 146 milhões, transferidos por Daniel Vorcaro, dono do Master.
Além de Paulo Henrique Costa, a operação também mirou o advogado Daniel Monteiro, apontado como o administrador de fundos utilizados para dificultar o rastreamento de movimentações financeiras ilícitas. Ao todo, foram cumpridos dois mandados de prisão e sete de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e ao Banco Master em São Paulo e no Distrito Federal. Esta etapa da investigação marca a primeira vez que a PF aponta formalmente a existência de corrupção envolvendo agentes públicos do Distrito Federal no contexto das tratativas entre o banco estatal e a instituição financeira de Vorcaro.
O foco central do inquérito reside na tentativa frustrada de aquisição do Banco Master pelo BRB, operação que foi vetada pelo Banco Central por falta de viabilidade econômica e riscos excessivos ao patrimônio público. A Polícia Federal também apura se o banco público adquiriu carteiras de crédito problemáticas da instituição privada sob a gestão de Costa, que ocupava a presidência desde 2019 por indicação do governador Ibaneis Rocha. Após ser afastado do cargo por decisão judicial na primeira fase da operação, Paulo Henrique Costa agora deve ser encaminhado ao Complexo Penitenciário da Papuda, enquanto o BRB e as defesas dos envolvidos ainda não se manifestaram oficialmente sobre as novas acusações.
