Marcello Ambrósio
Uma pesquisa liderada por uma cientista brasileira tem chamado a atenção da comunidade médica ao apresentar resultados preliminares no tratamento de lesões na medula espinhal. O estudo é coordenado pela professora Tatiana Coelho de Sampaio, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A equipe desenvolveu uma proteína experimental denominada polilaminina, criada a partir de proteínas extraídas da placenta humana — substâncias associadas ao desenvolvimento do sistema nervoso. Segundo os pesquisadores, a molécula atua estimulando a reconexão de neurônios danificados.
Como funciona o tratamento
A polilaminina é aplicada por injeção diretamente na área lesionada da medula espinhal. De acordo com os responsáveis pelo estudo, a substância funciona como uma espécie de suporte biológico, criando um ambiente favorável para o crescimento dos axônios e a reconstrução de circuitos nervosos.
O tratamento está sendo desenvolvido em parceria com o laboratório Cristália. A fase 1 dos testes clínicos — que avalia a segurança da substância e os primeiros indícios de eficácia — foi aprovada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Resultados preliminares
Até o momento, 16 pacientes brasileiros obtiveram autorização judicial para receber a aplicação experimental. Segundo informações divulgadas pela equipe, ao menos cinco apresentaram recuperação parcial de movimentos.
Entre os casos citados está o de Luiz Fernando Mozer, de 37 anos, que sofreu um acidente durante uma apresentação de motocross no Espírito Santo e ficou tetraplégico. Conforme relato médico, ele apresentou retorno de sensibilidade e contração muscular após o procedimento.
Outro paciente, de 35 anos, voltou a apresentar movimentos no pé e sensibilidade nas pernas. Já Bruno Drummond de Freitas, de 31 anos, diagnosticado com tetraplegia, conseguiu voltar a andar após o tratamento experimental.
Os procedimentos foram realizados sob coordenação de equipe médica especializada, incluindo o neurocirurgião Bruno Alexandre Côrtes, do Hospital Municipal Souza Aguiar.
Próximos passos
Especialistas destacam que, embora os resultados iniciais sejam considerados promissores no campo da medicina regenerativa, o tratamento ainda está em fase inicial de testes clínicos. Estudos com maior número de participantes e fases posteriores serão necessários para confirmar a eficácia e segurança da terapia em larga escala.
O potencial da pesquisa já vem sendo mencionado por parte da comunidade científica internacional como relevante para o avanço no tratamento de lesões medulares, mas qualquer reconhecimento futuro dependerá da consolidação dos resultados científicos.
