Tatiana Santos
Os ventos fortes do meio do ano, juntamente com as férias escolares são uma época propícia para a diversão, momento em que os estudantes aproveitam para empinar pipas. Apesar de a brincadeira ser popular entre crianças e adolescentes, o passatempo esconde um perigo que pode até mesmo levar à morte: o tipo de material que compõe as linhas, como o cerol. Inúmeros usuários utilizam a linha chilena, o que é ainda mais perigoso.
Desde o começo deste ano, quatro pessoas morreram em Minas Gerais por conta de linhas cortantes. No mês de junho, por exemplo, Jorge Luiza da Silva, guarda municipal de Santa Luiza, na Grande BH, foi atingido por uma linha chilena enquanto ia para o trabalho a bordo de sua motocicleta. Ele sofreu cortes profundos no rosto, sendo necessários quase 30 pontos nos olhos e nariz. Segundo ele, se fosse atingido um milímetro abaixo teria ficado cego, e no pescoço, certamente teria perdido a vida.
Para evitar situações semelhantes, o 26º Batalhão da Polícia Militar, sediado em Itabira, realiza a Operação Linha Segura, até o dia 3 de agosto, com foco em intensificar a fiscalização e combate ao uso de linhas cortantes.

Aparato simples que salva vidas
De acordo com o sargento Gabriel, a antena corta pipas é um aparato capaz de evitar grandes tragédias. “Vou te apresentar um equipamento muito simples de instalar e muito barato, que pode salvar a vida de você, motociclista. Embora não seja obrigatório por lei, a antena corta pipas exerce uma proteção tão importante quanto o capacete na condução de moto”, inicia. O militar explica sobre o funcionamento da antena, dotada de lâminas na parte superior, que têm a funcionalidade de cortar as linhas, mesmo as chilenas ou de cerol.
O agente esclarece que a Polícia Militar intensificou a fiscalização para combater o uso de linhas cortantes nesse período de férias escolares. “Mas é importante que você, motociclista, utilize sempre duas antenas na sua moto e que elas estejam sempre levantadas para aumentar sua própria segurança”, alerta.
Lei em Minas Gerais
Em Minas Gerais, a lei 23.515/2019 proíbe o uso de cerol e linha chilena em pipas. Usuários flagrados vendendo ou usando essas linhas podem pagar uma multa de 1.000 Ufemgs (Unidades Fiscais do Estado de Minas Gerais), equivalente a R$ 3.590. Caso haja reincidência, o valor é aumentado em até 50 vezes, ou seja, R$ 179 mil. Pais ou responsáveis pegos com esses materiais podem ser notificados e levados ao Conselho Tutelar do município. Uma lei federal de 1990 já previa multa e detenção de dois a cinco anos aos vendedores e usuários, mas em 2019, o deputado estadual Mauro Tramonte (Republicanos) sugeriu o endurecimento da legislação.