Por Marcello Ambrósio
Proprietária do imóvel entrou com recurso alegando que o edifício “não tem relevância”; Conpresp adiou votação para realizar visita técnica ao local.
O icônico prédio da Escola Panamericana de Arte e Design, localizado na Avenida Angélica, tornou-se o centro de uma disputa jurídica e arquitetônica. Reconhecido como patrimônio histórico em 2024, o edifício corre o risco de ser “destombado” após a própria dona do imóvel questionar a decisão do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico (Conpresp).
O Argumento da Proprietária
A empresa dona do imóvel sustenta que o tombamento é descabido e “banaliza” o instrumento de preservação para servir apenas como homenagem a arquitetos. No recurso, afirma que o local não possui relevância arquitetônica, urbanística ou afetiva que justifique as restrições de uso impostas pela proteção histórica.
O Valor Arquitetônico
Do outro lado, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU-SP) e especialistas defendem que o projeto, assinado pelo arquiteto Siegbert Zanettini, é um exemplar raro e emblemático:
- Estética Pós-Moderna: Construído entre os anos 1970 e 2000, o prédio é famoso por sua estrutura metálica vermelha aparente, túneis cilíndricos e um arremate piramidal no topo.
- Urbanismo Humano: O projeto é elogiado pela “permeabilidade visual”, integrando o edifício à calçada e ao pedestre, sem as barreiras rígidas comuns em construções modernas.
O Medo da “Especulação Imobiliária”
O processo de tombamento deste prédio foi acelerado após um trauma recente para o patrimônio paulistano: em 2021, outra unidade da Panamericana (na Rua Groenlândia) foi demolida para dar lugar a um prédio residencial de luxo antes que pudesse ser protegida. O temor de entusiastas da arquitetura é que o “destombamento” na Avenida Angélica siga o mesmo caminho, transformando um marco cultural em entulho para novos empreendimentos.
Próximos Passos
A votação, que deveria ter ocorrido nesta segunda-feira (9), foi suspensa. O presidente do Conpresp decidiu que os conselheiros devem visitar o prédio pessoalmente antes de bater o martelo. Ainda não há uma nova data para a decisão final.
