Por Tatiana Santos
O incentivo cultural na formação de crianças e adolescentes, especialmente no contexto da educação pública é um importante caminho a ser trilhado por educadores. Com 26 anos de atuação em sala de aula, a professora Marinete Nunes, que atua na rede pública em Itabira, representa com louvor essa classe de profissionais.
Ela possui uma trajetória acadêmica ampla. É licenciada em História e Geografia, tem especialização em História da Arte, Psicopedagogia com foco na adolescência e formação em Direito, além de atualmente se dedicar a estudos voltados ao Direito e à Diversidade. A professora ressaltou, em entrevista à Rádio Pontal, que a arte vai além da expressão estética, sendo uma ponte para o conhecimento, o fortalecimento da autoestima e o desenvolvimento da identidade.
Marinete atuou em projetos educacionais que marcaram época, um deles foi o Conexão Jovem, que tinha o objetivo de incentivar talentos e promover o protagonismo juvenil por meio da arte. “Iniciativas desse tipo oferecem aos adolescentes oportunidades de reconhecimento, pertencimento e construção da cidadania, em uma fase da vida marcada por conflitos e descobertas”.
Desafios a serem vencidos
Para a professora, são imensos os desafios enfrentados diariamente pelos profissionais da educação, como a desvalorização da carreira docente, a falta de recursos nas escolas e a dificuldade de despertar o interesse dos estudantes. Em sua visão, o papel do professor é essencial nesse processo, pois é ele quem transforma o conteúdo em vivência e aproxima o aluno do prazer de aprender.
Outro ponto passível de destaque para ela é a discussão sobre racismo estrutural e identidade negra. Conforme ela, existe uma fundamental contribuição histórica e cultural do povo negro para a formação do Brasil, especialmente nas artes.
A professora defende a valorização da estética negra como parte do processo de afirmação identitária, além de alertar para práticas discriminatórias ainda presentes em ambientes profissionais e educacionais. “É de grande relevância a arte como ferramenta educativa, de resistência e de transformação social, além de evidenciar a urgência de políticas públicas que valorizem o professor e ampliem o acesso à cultura dentro e fora das escolas”, finaliza. A entrevista pode ser conferida na íntegra no canal do You Tube da Rádio Pontal