Por Tatiana Santos A história de Giovanni Carvalhais com o câncer começou de forma despretensiosa em 2019, quando, ao tomar banho, percebeu um pequeno nódulo indolor e duro atrás da orelha direita. O alerta da família e a consulta a um especialista revelaram o diagnóstico de carcinoma adenoide cístico na glândula parótida, um tipo raro de tumor. O momento inicial marcou o começo de um longo caminho de exames e cirurgias, onde a busca rápida por respostas foi fundamental, levando Giovanni a reforçar a importância do autoconhecimento e da prevenção, ao aconselhar: “Investigue, passe a mão. Se você tem uma íngua que suspeita ser íngua e perdura por um tempo maior, investigue. Você mesmo faça isso olhando melhor seu corpo, seu pescoço”, orienta o aposentado e pastor evangélico, morador de Itabira. Após a primeira cirurgia, a expectativa de controlar a doença cedeu lugar a um cenário mais difícil um ano e meio depois, quando a doença recidivou, ou seja, voltou. A agressividade do tumor exigiu intervenções severas, como uma cirurgia de nove horas para a remoção total do nervo facial direito, responsável por uma assimetria no seu rosto, o esvaziamento cervical completo com a remoção de 18 linfonodos e sessões combinadas de radioterapia e quimioterapia. Mais tarde, com o surgimento de metástases inoperáveis nos dois pulmões, e o momento em que as medicações deixaram de surtir efeito, Giovanni passou a focar no acompanhamento periódico e na redução das dores, se apoiando na fé e no suporte da família e de amigos espirituais. Ele relembra os momentos críticos, mas ressalta a força espiritual que o sustenta: “Acreditando que Deus possa estar abençoando, que aquele medicamento alcance a lesão. A última sentença, a última palavra, vem de Deus. Então, eu estou vivo já faz sete anos”, conta. Amor pelo próximo além das circunstâncias Além de sua batalha pessoal, Giovanni atua ativamente como voluntário na Associação Oncoviva, entidade referência no suporte a pacientes oncológicos na região. Ele tem desempenhado um papel importante nesse trabalho em diversas frentes, participando de visitas semanais ou mensais que promovem uma escuta ativa, sempre respeitando o tempo e o momento de cada família atendida. Essa vivência comunitária e pastoral modificou suas prioridades e aumentou sua sensibilidade com o próximo. Ao fazer uma refelxão sobre como a experiência transformou seu olhar sobre a vida, ele destaca que o acolhimento e a persistência são fatores indispensáveis no tratamento. Giovanni destaca a mensagem que transmite a quem enfrenta a mesma batalha: “Viva um dia de cada vez. Não desista, não. Encontre com pessoas que vão te apoiar, vir com você, te ajudar, porque ninguém sabe qual foi o propósito dessa doença na vida de ninguém. E se o Senhor tem para ti todo esse processo, e ao final dele, uma cura para a sua vida, você tem algo lindo para contar e compartilhar”.
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