Por Marcello Ambrósio
Novos detalhes sobre o assassinato da soldado Gisele Alves, morta em fevereiro no Brás, centro de São Paulo, revelam um cenário de profundo abuso e opressão. Mensagens de WhatsApp analisadas pela polícia mostram que o marido, o tenente-coronel Geraldo Neto, utilizava o papel de “provedor financeiro” para exigir sexo e submissão da esposa.
O discurso do “macho alfa”
Nas conversas extraídas dos celulares, Geraldo se autodenominava um “macho alfa” e impunha que Gisele se comportasse como uma “fêmea beta obediente”. Em um dos trechos, ele escreveu: “Eu contribuo com o dinheiro, sou o provedor. Você contribui com carinho, atenção, amor e sexo”.
O oficial também monitorava o comportamento cotidiano da esposa, proibindo-a de cumprimentar outros homens e afirmando que ela deveria seguir suas regras enquanto estivesse “sob sua comanda”.
A recusa do divórcio
A investigação aponta que o crime foi motivado pela decisão de Gisele de encerrar o casamento. Cinco dias antes de ser morta, ela comunicou que estava decidida a se separar, ao que ele respondeu de forma ameaçadora: “Jamais! Nunca será”.
Para o Ministério Público e a Polícia Civil, os laudos periciais descartam a hipótese de suicídio — versão que o coronel tentou sustentar ao manipular a cena do crime. Ele teria segurado a cabeça da vítima e disparado contra ela.
Réu por feminicídio
Geraldo Neto está preso no Presídio Militar Romão Gomes e agora é réu por feminicídio e fraude processual. Este é o primeiro caso desde 2015 de um oficial da PM de São Paulo preso por esse tipo de crime. Devido à gravidade e à natureza do assassinato, o caso deve ser julgado pelo Tribunal do Júri na Justiça comum.
