Por Marcello Ambrósio
O superiate Nord, avaliado em mais de US$ 500 milhões e ligado ao bilionário russo Alexey Mordashov, realizou uma travessia rara pelo Estreito de Ormuz no último sábado (25), destacando-se como uma das poucas embarcações a transitar pela rota em meio ao conflito entre Estados Unidos e Irã. A embarcação de luxo, com 142 metros de comprimento, partiu de uma marina em Dubai e chegou a Muscat, no Omã, navegando por uma via que atualmente sofre restrições severas. Desde fevereiro, o Irã bloqueou grande parte do tráfego no estreito, por onde circula cerca de 20% do petróleo mundial, reduzindo a movimentação diária de 140 navios para apenas alguns cargueiros autorizados.
A passagem do Nord ocorre em um momento de estreitamento das relações diplomáticas e militares entre a Rússia e o Irã, que firmaram acordos de cooperação em segurança e inteligência no último ano. Enquanto Washington e Teerã mantêm um cessar-fogo instável e os EUA impõem bloqueios a portos iranianos, a circulação do iate sugere privilégios logísticos derivados da aliança entre Moscou e o regime iraniano. Alexey Mordashov, magnata do setor de aço e próximo ao presidente Vladimir Putin, está sob sanções internacionais desde a invasão da Ucrânia em 2022, o que torna a movimentação de seus bens monitorada de perto por agências globais.
Considerado um dos maiores iates do mundo, o Nord possui uma infraestrutura impressionante que inclui 20 cabines, piscina, heliponto e até um submarino próprio. Embora a embarcação esteja registrada em nome de uma empresa russa pertencente à esposa de Mordashov, sua ligação com o oligarca é amplamente reconhecida. A travessia bem-sucedida pelo coração de uma zona de guerra naval simboliza não apenas a sofisticação tecnológica da embarcação, mas também o peso geopolítico dos laços russos no Oriente Médio em um cenário de isolamento econômico do Ocidente.
