Por Marcello Ambrósio
O feriado nacional de 21 de abril homenageia Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, figura central da Inconfidência Mineira que foi executado nesta data em 1792. O movimento buscava a independência do Brasil em relação ao domínio português e a instauração de uma República. Embora seja um dos personagens mais famosos da história brasileira, a imagem popularizada de Tiradentes — com barba longa e cabelos compridos — é uma construção artística posterior à Proclamação da República, em 1889, criada para transformar o homem comum em um mártir e herói nacional.
A associação visual de Tiradentes à figura de Jesus Cristo foi uma estratégia deliberada para conferir santidade e respeito ao personagem, facilitando sua aceitação pelas massas. Como não existem registros visuais verídicos da época, artistas do final do século XIX, como Angelo Agostini, basearam-se em pinturas religiosas para dar um rosto ao alferes. Na realidade histórica, por ser um militar e prisioneiro, Tiradentes foi levado à forca com a cabeça e a barba raspadas, e sua execução foi seguida pelo esquartejamento de seu corpo, cujas partes foram expostas publicamente para servir de exemplo.
Além de sua faceta como mártir, Tiradentes foi um homem de múltiplas profissões, atuando como dentista, minerador, comerciante e alferes. Historiadores destacam sua humanidade: era descrito como corajoso, teimoso e um grande defensor do conhecimento. Durante os três anos em que esteve preso, ele demonstrou firmeza de caráter ao assumir sozinho a responsabilidade pela revolta, protegendo seus companheiros. Oficializado como feriado em 1890 e declarado Patrono Cívico da Nação em 1965, o dia 21 de abril celebra o sacrifício de um homem que, embora comum em suas ambições, tornou-se o maior símbolo da luta pela liberdade no Brasil.
