Por Marcello Ambrósio
Um ataque a tiros em uma escola e em uma residência chocou o Canadá na terça-feira (10) e deixou dez pessoas mortas e outras 25 feridas. O caso aconteceu em Tumbler Ridge, uma pequena cidade com pouco mais de 2 mil habitantes, na província da Colúmbia Britânica, no oeste do país. A autora dos disparos também morreu, segundo as autoridades.
De acordo com a polícia, o ataque começou por volta das 13h20 (horário local) na Tumbler Ridge Secondary School, escola que atende cerca de 160 alunos entre 12 e 18 anos. Seis vítimas morreram dentro da unidade. Outras duas foram encontradas sem vida em uma casa próxima ao colégio. Uma pessoa chegou a ser socorrida, mas não resistiu no caminho para o hospital. O estado de saúde dos demais feridos não havia sido detalhado até a última atualização.
A atiradora foi localizada já sem vida dentro da escola. A polícia informou que há indícios de que ela tenha tirado a própria vida. O jornal canadense Western Standard identificou a suspeita como Jesse Strang, uma mulher transgênero de 18 anos que estudava na instituição. Colegas a descreveram como uma jovem tranquila, porém reservada.
Momentos de medo dentro da escola
Alunos relataram momentos de pânico. Darian Quist, estudante do último ano, contou à rádio CBC que havia acabado de entrar na sala quando o alarme foi acionado. A orientação era clara: trancar as portas.
“Pegamos mesas e bloqueamos as portas”, relatou ele. O grupo permaneceu isolado por mais de duas horas até a chegada da polícia.
A mãe de Darian disse que acompanhou tudo pelo telefone. Do lado de fora, segundo ela, era possível ver forte presença policial, ambulâncias e bombeiros. “Havia um policial agachado em nosso estacionamento com a arma em punho”, contou.
Ataques são raros no Canadá
O caso está entre os mais mortais da história recente do país — algo incomum no Canadá, que possui leis rígidas para a compra e o porte de armas. Para possuir armamento, é necessário ter licença específica, e as armas devem ser mantidas descarregadas e trancadas.
Nos últimos anos, o governo canadense ampliou restrições, especialmente sobre pistolas e armas de assalto. Ainda assim, propostas mais amplas de proibição enfrentaram resistência de setores como agricultores e caçadores.
Entre os episódios mais graves do país estão o massacre de 1989, na Escola Politécnica de Montreal, que deixou 14 estudantes mortos, e o ataque de 2020 na Nova Escócia, quando um homem matou 22 pessoas ao longo de 13 horas.
Comunidade em luto
Tumbler Ridge é um município remoto, cercado por paisagens nevadas e montanhas, a mais de mil quilômetros de Vancouver. A escola permanecerá fechada pelo restante da semana, e equipes de apoio psicológico foram mobilizadas para atender alunos, familiares e funcionários.
O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, declarou estar devastado com o ocorrido e suspendeu compromissos oficiais. “Minhas orações e condolências estão com as famílias e amigos que perderam entes queridos nesses atos horríveis de violência”, afirmou.
A tragédia interrompeu a rotina de uma comunidade pequena e unida — e reacendeu o debate sobre violência armada, mesmo em um país onde episódios como esse são considerados raros.
