Por Marcello Ambrósio
O cenário geopolítico global atingiu um ponto crítico nesta quinta-feira (19), após o presidente Donald Trump declarar que o Irã tem apenas dez dias para firmar um “acordo significativo” com os Estados Unidos. Durante a reunião inaugural do Conselho da Paz, Trump foi enfático ao afirmar que Washington dará um “passo além” caso as negociações não avancem, sugerindo que uma intervenção militar direta é uma opção real e iminente. Relatórios da inteligência americana indicam que o Pentágono já apresentou opções que incluem ataques estratégicos para desestruturar a liderança política e militar de Teerã.
A movimentação militar americana na região reforça a gravidade das ameaças. Pela primeira vez em meses, os EUA posicionaram dois porta-aviões gigantescos no Oriente Médio: o USS Abraham Lincoln, que já está na costa iraniana, e o USS Gerald R. Ford, que se desloca em direção ao Estreito de Gibraltar para se unir à frota. Com quase 80 aeronaves de guerra e escoltados por destroieres equipados com mísseis Tomahawk, esses navios representam um poder de fogo capaz de atingir alvos sensíveis, como instalações nucleares, em questão de horas.
Enquanto a diplomacia patina em Genebra, o clima de pré-guerra já provoca reações internacionais imediatas. O Pentágono iniciou a retirada preventiva de parte de seu pessoal não essencial do Oriente Médio, temendo contra-ataques iranianos. Na Europa, o primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, emitiu um alerta urgente para que seus cidadãos deixem o Irã imediatamente, afirmando que o risco de um conflito armado é “muito real” e que a janela para uma retirada segura pode se fechar nas próximas horas.
Do outro lado, o regime iraniano respondeu com demonstrações de força, realizando exercícios navais conjuntos com a Rússia no Golfo de Omã e iniciando manobras com munição real no Estreito de Ormuz — rota por onde passa 20% do petróleo mundial. Pressionada por protestos internos e pelas ameaças externas, a teocracia iraniana mantém o discurso de que qualquer agressão resultará em uma guerra regional. Com o prazo de dez dias correndo, o mundo observa com apreensão se a retórica de Trump culminará em um ataque preventivo ou se haverá espaço para uma última saída diplomática.
