Imagens divulgadas nesta semana mostram o agente da Patrulha da Fronteira dos Estados Unidos, Charles Exum, disparando cinco vezes contra a professora Marimar Martinez, de 31 anos, durante uma ação realizada em outubro de 2025, em Chicago. A gravação veio a público na terça-feira (10).
No vídeo da câmera corporal, um dos agentes afirma, momentos antes da colisão entre os veículos: “É hora de sermos agressivos” e “vamos fazer contato”. Pouco depois, o carro conduzido por Exum vira bruscamente à esquerda e ocorre a batida. Em seguida, ele desce armado e efetua os disparos.
Também é possível ouvir um agente dizendo “faça alguma coisa” instantes antes da colisão.
Versões conflitantes
Na época do ocorrido, o Departamento de Segurança Interna (DHS), responsável pela Patrulha da Fronteira, afirmou que Martinez teria atropelado agentes com seu carro e que o tiro foi efetuado em legítima defesa. No entanto, as imagens divulgadas agora levantam dúvidas sobre essa versão, sugerindo que o veículo oficial pode ter atingido o carro da professora.
Martinez, que trabalha em uma escola Montessori, disse que seguia os agentes para alertar moradores sobre a presença deles na região quando a colisão aconteceu.
Após ser baleada, ela conseguiu dirigir até deixar o local e foi levada de ambulância a um hospital. Ela sobreviveu.
Investigação e processo
O agente Charles Exum foi afastado administrativamente após o caso, segundo informou a Alfândega e Proteção de Fronteiras à Reuters. Ele também está sob investigação criminal do Ministério Público Federal em South Bend, Indiana, de acordo com o advogado da professora.
Inicialmente, Martinez foi indiciada por obstrução de agente federal. O caso acabou arquivado meses depois. Apesar disso, um comunicado oficial que a classificava como “terrorista doméstica” continua disponível online.
Os advogados da professora afirmaram que irão processar o agente e o Departamento de Segurança Interna.
Mensagens após o tiroteio
Durante o processo, vieram à tona mensagens de texto enviadas por Exum após os disparos. Em uma delas, ele escreveu: “Disparei 5 tiros e ela ficou com 7 buracos. Anotem isso, rapazes”. Em outras conversas, o tom foi descrito como comemorativo.
Registros também indicam que o veículo oficial envolvido foi levado para manutenção antes de ser periciado pela defesa.
O caso ganhou nova repercussão após a divulgação das imagens e reacendeu o debate nos Estados Unidos sobre o uso da força por agentes federais em operações de imigração.
