Por Marcello Ambrósio
Imagens gravadas pela própria vítima antes de morrer comprovam emboscada; Daiane Alves foi morta com dois tiros na cabeça após histórico de brigas com o autor.
CALDAS NOVAS (GO) – A Polícia Civil de Goiás divulgou, nesta quinta-feira (19), imagens cruciais que encerram a investigação sobre o assassinato da corretora Daiane Alves Souza, de 43 anos. O vídeo, recuperado do celular da vítima após 41 dias submerso em uma tubulação de esgoto, mostra o momento exato em que ela foi rendida pelo síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, no subsolo do edifício.
A Emboscada no Subsolo
No dia 17 de dezembro de 2025, Daiane desceu ao subsolo para verificar uma queda de energia em um dos apartamentos que administrava.
- Premeditação: O vídeo recuperado mostra Cléber à espera da corretora. Ele usava luvas nas duas mãos e havia posicionado sua caminhonete estrategicamente próxima aos quadros de luz para facilitar o ataque.
- O Vídeo “Invisível”: Daiane gravava a situação da falta de energia para enviar a uma amiga. O ataque interrompeu a gravação, e o celular foi descartado pelo síndico na rede de esgoto para ocultar a prova.
- A Execução: A perícia técnica concluiu que Daiane foi morta com dois tiros de pistola .380 na cabeça. Os disparos ocorreram fora do prédio, uma vez que o som seria facilmente ouvido na recepção.
Motivação: Disputa por Gestão
A relação entre o síndico e a corretora era extremamente conflituosa. Ao todo, existiam 12 processos judiciais envolvendo as duas partes.
- Perseguição: Cléber já havia sido denunciado por utilizar o sistema de câmeras do prédio para vigiar e constranger a vítima.
- Causa do Conflito: As brigas começaram quando a família de Daiane retirou das mãos de Cléber a administração de seis apartamentos, passando a responsabilidade diretamente para ela.
Desfecho e Prisões
O corpo de Daiane foi encontrado em uma área de mata a 15 km de Caldas Novas, após o síndico confessar o crime no dia 28 de janeiro.
- O Autor: Cléber Rosa de Oliveira permanece preso e responderá por homicídio qualificado e emboscada.
- O Filho: Maicon Douglas de Oliveira, inicialmente preso por suspeita de ajudar na ocultação de provas, teve seu envolvimento descartado pela polícia e deve ser solto.
- Provas: A recuperação do vídeo no celular foi considerada o “último ato” da investigação, consolidando a tese de crime planejado.
