Por Tatiana Santos
No Dia Internacional da Síndrome de Down, Cláudia Magalhães e Cristiana Costa, integrantes do grupo FADA (Família Down e Amigos) de Itabira, compartilham não apenas os desafios da maternidade atípica, mas um alerta urgente de que a sociedade não está preparada para abraçar o adulto com down. O tema deste ano é ‘Juntos contra a solidão: amizade, acolhimento e inclusão. Xô, solidão’.
As trajetórias de Alice, de 11 anos, e Bernardo, de 16, mostram faces diferentes da mesma realidade. Para Cláudia, a chegada de Alice foi uma surpresa no pós-parto, um aprendizado diário que desafia o susto inicial. Já para Cristiana, o desejo de ter um filho especial era um sonho antigo, que se materializou em Bernardo com a leveza de quem já esperava por esse amor.
O tema Xô solidão toca no desafio do isolamento social que começa a surgir conforme a criança cresce. Cristiana relata que Bernardo, aos 16 anos, já manifesta o desejo típico de qualquer adolescente: namorar, sair e ter seu próprio grupo de amigos. “Meu filho de 19 anos fez um churrasco com amigos e o Bernardo logo perguntou: ‘Mãe, quando vai ser o meu churrasco?’. A gente quer dar liberdade, mas o medo de como o mundo lá fora vai recebê-los é constante”, desabafa.
Exclusão disfarçada de proteção
A solidão muitas vezes é disfarçada por um comportamento mais calado, que a sociedade acredita ser por causa da síndrome. Mas, pode ser o reflexo de um jovem que percebe o afastamento das pessoas e a falta de grupos onde ele se sinta pertencente.
A luta contra a ideia de que pessoas com deficiência são inferiores ou menos capazes é diária. Por isso, Cristiana e Cláudia acreditam que o excesso de proteção não é o melhor caminho. Muitas vezes, deixar o jovem de fora de uma atividade para que ele não se machuque, por exemplo, não é o ideal. “Nossos filhos têm que cair e se machucar como qualquer outra pessoa. Eles vão sofrer por amor e precisam aprender a lidar com isso”, pontua Cristiana, lembrando que a super proteção também é uma forma de exclusão.
Por sua vez, Cláudia demonstra receio em relação ao futuro da filha perante uma sociedade que ainda limita as oportunidades para T21. Ela cobra ações concretas: “Há uma preocupação muito grande. Nossas crianças vão se tornar adultos, e aí? Enquanto tem a fase da escola, até os 17 anos, existe um caminho. Mas e depois? A sociedade é muito capacitista e rotula muito, achando que eles não conseguem. A gente precisa chamar a atenção de Itabira. Nossos jovens estão aí e precisamos incluí-los. Não adianta só falar de inclusão na infância se não abrirmos as portas para o trabalho e para a autonomia. O que eles vão fazer? Eles têm habilidades, mas nós, como sociedade, precisamos oferecer as oportunidades para ter essa resposta”, questiona a mãe de Alice, na expectativa de um futuro mais inclusivo para a filha e outras pessoas com a mesma condição.