Por Marcello Ambrósio
Uma receita carregada de memória afetiva transformou a trajetória da empreendedora Juliana Senna, que converteu o tradicional pão delícia baiano em um negócio que hoje fatura cerca de R$ 200 mil por mês em São Paulo. O projeto, batizado de Oxe Pãozinho, começou de forma despretensiosa na cozinha de um apartamento durante a pandemia, após Juliana perder uma oportunidade de emprego na área de moda. Com um investimento inicial de R$ 10 mil para equipamentos básicos, a produção artesanal rapidamente ganhou escala graças ao fomento das redes sociais e ao entusiasmo de clientes que buscavam produtos diferenciados.
O crescimento da marca foi acelerado: em 2020, a produção saltou de 150 para 300 unidades diárias, evoluindo para uma estrutura de fábrica em 2021 com a marca de 500 pães por dia. Atualmente, a empresa opera com 18 funcionários e produz cerca de 3 mil unidades diariamente, oferecendo um cardápio variado de versões doces e salgadas com ticket médio de R$ 70. A expansão consolidou-se com a abertura de pontos físicos na Vila Olímpia e em Pinheiros, integrando a fabricação ao atendimento direto ao público e apresentando a iguaria baiana ao cotidiano dos paulistanos.
A trajetória de Juliana exemplifica o sucesso de pequenos negócios nascidos da necessidade e do resgate de tradições regionais. Com planos de levar o pão delícia para toda a capital paulista, a empreendedora destaca que o alinhamento entre qualidade de produto e público-alvo foi o diferencial para profissionalizar a operação. Hoje, a marca não é apenas uma padaria baiana, mas um exemplo de como a gastronomia regional pode conquistar mercados competitivos ao unir escala industrial e o caráter artesanal da receita original.
