Por Marcello Ambrósio
Iván Mordisco, cujo nome verdadeiro é Néstor Gregorio, consolidou-se como o criminoso mais procurado da Colômbia e a principal ameaça à estabilidade do país às vésperas das eleições gerais de 31 de maio. Comandante do Estado-Maior Central (EMC), a maior facção dissidente das Farc, Mordisco é apontado como o mandante de uma onda de terror que atingiu o sudoeste colombiano no último fim de semana. Ao todo, foram registrados 31 atentados, incluindo a explosão de uma bomba em uma rodovia que resultou na morte de 21 civis e deixou 56 feridos, em uma demonstração de força que o governo de Gustavo Petro classificou como “crimes de guerra”.
A trajetória de Mordisco é marcada pela rejeição sistemática à paz. Diferente de outros líderes, ele se recusou a assinar o acordo de 2016 e permaneceu na selva, transformando sua dissidência em um esquadrão de 3.200 combatentes financiados pelo narcotráfico, mineração ilegal e extorsão. Comparado a Pablo Escobar pelo presidente Petro, o guerrilheiro rompeu as negociações com o atual governo em 2024, após uma breve tentativa de diálogo iniciada em 2023. Desde então, ele se tornou alvo de uma caçada implacável, com o governo oferecendo recompensas milionárias e exigindo sua captura vivo.
Especialista em fuzis e explosivos, o líder guerrilheiro utiliza táticas modernas, como o uso de drones e carros-bomba, para manter o controle territorial e expandir sua influência através de plataformas como o TikTok. Embora se autodeclare um “defensor do meio ambiente” e “do lado dos pobres”, ele é acusado de execuções implacáveis e do assassinato sistemático de líderes sociais e policiais. A atual “onda terrorista” coloca a segurança pública como o tema central do debate eleitoral na Colômbia, enquanto as Forças Armadas redobram operações para conter o avanço do grupo que impede o desaparecimento da sigla Farc no território.
