Por Tatiana Santos
O futuro econômico de Itabira e de outras cidades mineradoras de Minas Gerais entrou em uma fase decisiva de articulação política. Em entrevista nesta quinta-feira (28/05) ao programa Pontal Comunidade, na Rádio Pontal, o prefeito de Itabira, Marco Antônio Lage, destacou a urgência de preparar a cidade para o momento pós-mineração. Ações imediatas se mostram de grande importância, especialmente diante da previsão de um grande impacto no orçamento por conta da perda na arrecadação do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS).

Para contrapor esse cenário, Itabira tem tentado estreitar laços com lideranças do estado. Entre elas, a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), e a deputada estadual, Bella Gonçalves (mesmo partido de Marília), que propõe levar pautas como essa para Brasília e defende a união dos municípios por meio de associações e consórcios para cobrar compensações financeiras.
“Muitas das vezes se votam políticas, tanto no Senado como na Câmara [de Deputados], sem contrapartida de recurso para os municípios”, alertou Marília Campos. “É por essa razão, inclusive, que eu me aproximo não só de Itabira, mas também das cidades mineradoras na perspectiva de discutir um caminho onde eu possa ser porta-voz das cidades mineradoras em função da perda de recursos pela reforma tributária”, esclareceu. A indústria extrativa também ganha destaque nas discussões, pois, com a chegada do ‘terceiro ciclo da mineração’, focado na exploração de terras raras, as lideranças alertam para a necessidade de romper com o modelo histórico de exportação de matéria-prima bruta com baixa taxação.
Em defesa dos interesses locais
Por sua vez, Bela Gonçalves afirmou que o Congresso Nacional precisa de uma representação que defenda os interesses locais diante da exploração internacional e ao esgotamento dos recursos naturais. “Nós estamos passando por um terceiro ciclo de exploração mineral. A gente vai continuar exportando commodity com pouquíssimos impostos pagos para o estado e para os municípios e o nosso estado endividado? Não faz sentido. A gente precisa desenvolver a cadeia produtiva aqui no Brasil”, cobrou.
O chefe do Executivo concordou com o posicionamento de ambas, ressaltando que a presença de parlamentares alinhados com essa visão é fundamental para enfrentar as pressões do setor e garantir que a receita da mineração retorne em benefícios definitivos para a população dos municípios onde há mineração. “Itabira precisa cada vez mais dessas alianças, desses laços com lideranças importantes e que trazem no seu DNA a causa social. É fundamental que nós tenhamos senadores, deputados, lideranças em Minas e no Brasil que reconheçam a importância de Itabira, sobretudo por esse grande tema que é do pós-mineração. E a política nacional vai ser preponderante pra Itabira para essa jornada itabirana dos próximos anos”, afirmou o prefeito.