Por Tatiana Santos
O esgotamento das reservas minerais e a necessidade urgente de diversificação econômica são temas que exigem o comprometimento entre as empresas exploradoras, os municípios e o governo estadual. Cidades que sustentaram a economia de Minas Gerais e do Brasil por décadas agora enfrentam o desafio de construir novas perspectivas econômicas para garantir a a sustentabilidade da população antes do fim do ciclo extrativo. O prefeito Marco Antônio Lage ressaltou, durante entrevista na Rádio Pontal nesta terça-feira (14/07), a importância de consolidar projetos de longo prazo, como o Itabira Sustentável. Ele cobra uma postura mais ativa das mineradoras na construção de um legado as cidades exploradas.
“A transição econômica é um legado que a mineração precisa deixar nos territórios onde opera. Aquela mineração do passado, que só deixava buracos, passivos ambientais e falta de água, ficou para trás. Insistimos muito nesse ponto. Quando falamos em sustentabilidade na publicidade das grandes mineradoras, isso precisa se traduzir em realidade na prática. É preciso trabalhar enquanto há minério e riqueza para estruturar esses territórios, garantindo um futuro sustentável para as próximas gerações. Este não é um projeto apenas da minha gestão, é um projeto de Estado, um programa que deve continuar independentemente de quem esteja na prefeitura para garantir que, até 2053, Itabira esteja preparada”, declarou o prefeito, em relação ao Itabira Sustentável.
O ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares Júnior, que também participou do bate-papo na emissora, compartilha da preocupação com os impactos da mineração. Ele defende que o governo estadual precisa estar sempre presente nas discussões sobre o meio ambiente e o futuro da região. Durante décadas, a extração de minério de ferro sustentou a economia mineira, mas também deixou problemas ambientais graves que agora precisam de soluções definitivas. Atualmente, a mineração moderna mostra que, para ser sustentável, é preciso acabar de vez com as antigas barragens de rejeito e adotar o sistema de empilhamento a seco. Além disso, reaproveitar materiais como a areia e a terra que sobram do processo ajuda a transformar o que antes era um risco ambiental em novos negócios para a região. Ele também destaca a urgência de resolver os problemas antigos nas estradas locais, que há anos prejudicam o trânsito da região.
“Itabira precisa de uma atenção muito especial do Estado. Acho que há uma dívida histórica com a cidade. É o berço da mineração. Não preciso falar sobre os impactos negativos da mineração e os problemas futuros que a cidade enfrentará. A transição e a exaustão mineral são desafios reais que já estão em curso. Do ponto de vista do governo estadual, também temos que buscar o apoio federal, mas se o governo do estado estiver alinhado com o prefeito, tenho certeza de que, junto com a comunidade, seremos capazes de resolver um dos grandes gargalos aqui, que é a rodovia de ligação com a BR-381. Essa rodovia era o mínimo que a cidade deveria ter recebido”, destacou Dr Jarbas.