Por Tatiana Santos
A força e a delicadeza da palavra escrita vão tomar conta do palco da Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade (FCCDA) nesta quarta-feira, às 20h. A abertura oficial da 52ª edição do tradicional Festival de Inverno de Itabira fica por conta do espetáculo ”Aurora, uma homenagem à vida e à obra de um dos maiores cronistas do país, o mineiro Paulo Mendes Campos. Com entrada gratuita (com retirada de ingressos no local um pouco antes da sessão), a peça promete emocionar o público itabirano ao unir literatura, música e tecnologia. A classificação é livre, porém, recomendada para maiores de 12 anos pelo tom poético e interpretativo do texto.
Adaptada, dirigida e produzida por Rodrigo Penna, o espetáculo transita por crônicas, poemas e cartas de Paulo Mendes Campos. No palco, a peça ganha vida por meio de projeções de cinema, artes plásticas, design de movimento e música. O diretor comenta que a roupagem moderna serve para universalizar textos escritos há mais de meio século: “Essa forma contemporânea foi a forma que a gente encontrou de botar todo mundo na roda. Não só as pessoas que leram Paulo Mendes Campos ou que viveram aquela geração. É importante que essa galera mais nova agora conheça os nossos escritores”, defendeu, durante entrevista na Rádio Pontal, poucas horas antes da apresentação. Ele afirmou que “acha que o público de Itabira pode esperar um pouco de doçura na vida, leveza e humor”.
O diretor reuniu um elenco harmônico e de longa trajetória no teatro nacional: Elisa Pinheiro, Cadu Garcia e Gustavo Damasceno. A figurinista Marie Sales também está nos bastidores. Ela é conhecida por trabalhos marcantes na TV Globo, como a novela Avenida Brasil. Além disso, apoio do cenógrafo Marcos Figueroa. O espetáculo conta ainda com participações especiais em vídeo dos atores Lázaro Ramos e Júlia Lemmertz, além do próprio Rodrigo Penna, que faz uma breve aparição em projeção.
Conexão com Drummond
Apresentar a peça em Itabira carrega um importante simbolismo afetivo, pois Paulo Mendes Campos foi um dos grandes intelectuais mineiros que migraram para o Rio de Janeiro em meados do século XX, estabelecendo uma forte e duradoura amizade com o itabirano Carlos Drummond de Andrade. Rodrigo Penna revelou uma das histórias de cumplicidade entre os dois escritores que é retratada na peça: “O Paulo conta que quando ele chegou no Rio, nos anos 40, quem arrumou o primeiro emprego para ele foi o Drummond. E mais do que isso, quem emprestou a primeira máquina de escrever que ele não tinha foi o Drummond. É bonito a gente imaginar que boa parte dos textos que a gente está ouvindo na peça, provavelmente foram escritos na máquina que o Drummond emprestou para o Paulinho”, se emocionou o diretor.
A trajetória de Rodrigo Penna na Globo
À frente da Bailinho Produções, Penna celebra com o espetáculo, sua segunda direção teatral, mas tem uma bagagem artística que acompanhou gerações de telespectadores em todo o país. Ele iniciou sua carreira nos palcos interpretando o Menino Maluquinho, de Ziraldo, no Rio de Janeiro. Na televisão, marcou época ao integrar o elenco de grandes sucessos da Globo entre os anos 1980 e 2000, incluindo as novelas Top Model, Vamp, Olho no Olho, além de minisséries consagradas como Os Maias e JK, onde interpretou o arquiteto Oscar Niemeyer. Apesar de guardar ótimas recordações de seu período nas novelas globais, o artista hoje se realiza nos bastidores, assinando curadorias, trilhas sonoras e direções. “Hoje eu estou muito feliz atrás das câmeras, produzindo, escrevendo, dirigindo. Eu me vejo como artista, mas não sei se me vejo mais muito como ator”, refletiu. Ele também atua como DJ na cena cultural do Rio de Janeiro.