Por Tatiana Santos
O maior problema no combate ao câncer de cabeça e pescoço no Brasil não é apenas a complexidade do tratamento, mas a demora para descobrir a doença. Segundo o cirurgião-dentista Max Cota, de Itabira, a realidade vista nos consultórios mostra um cenário preocupante: “Infelizmente, o diagnóstico não vem numa fase inicial. 80% dos cânceres diagnosticados a gente faz quando já está bem avançado”, revelou, durante entrevista na Rádio Pontal, nessa quarta-feira (22/07). Essa demora diminui muito as chances de cura e torna os tratamentos bem mais pesados.
Para mudar essa situação, ele faz um apelo para que médicos e dentistas prestem mais atenção nas consultas de rotina: “Que os profissionais façam essa avaliação clínica geral buscando alterações na cavidade oral. O dentista não pode olhar o paciente apenas como o dente, precisa olhar o paciente num todo. Com isso a gente pode salvar a vida do paciente”, destacou.
Além do trabalho dos profissionais, a atenção do próprio paciente ao fazer o autoexame é fundamental para descobrir a doença no início. A orientação é ficar atento a qualquer sintoma que não passe, como rouquidão, dificuldade para engolir ou manchas vermelhas e brancas na boca: “Nós orientamos que toda ferida que não cicatrizar nos primeiros 15 dias merece uma atenção especial, merece uma busca por um profissional”, reforçou o médico.
Diagnóstico precoce faz toda diferença
Essa demora para descobrir a doença traz sérias consequências para a vida do paciente. A história vivida pelo aposentado e pastor evangélico Giovanni Carvalhais mostra bem isso: a falta de um diagnóstico rápido pode fazer o quadro piorar, exigindo cirurgias grandes, tratamentos demorados e um longo processo de recuperação. O exemplo de quem passa por isso reforça que descobrir o problema logo no começo faz toda a diferença entre um tratamento simples e uma dura batalha contra a doença.
Giovanni percebeu um pequeno nódulo indolor na glândula parótida direita durante o banho, em 2019, quando tinha 52 anos. O diagnóstico confirmou um carcinoma adenoide cístico, um tipo raro de tumor que exigiu cirurgia de remoção. Dezoito meses após o procedimento inicial, a doença recidivou de forma severa, levando a uma complexa cirurgia de nove horas para a remoção do nervo facial direito, o que causou assimetria em seu rosto, além do esvaziamento cervical e de sessões combinadas de radioterapia e quimioterapia. Atualmente convivendo com metástases inoperáveis nos dois pulmões, Giovanni mantém o acompanhamento médico a cada quatro meses e vive a rotina focando no controle de dores, atuando como voluntário na Oncoviva e se dedicando a atividades sociais.