Por Tatiana Santos
O impacto da escassez hídrica em Itabira atinge de forma drástica os bairros afastados do centro e as comunidades rurais do município. Enquanto na área urbana o problema é agravado por reparações técnicas na captação, no campo, a diminuição do fluxo de nascentes já começa a comprometer o suprimento de famílias e criações de animais.
A extensão territorial do município representa um desafio para os técnicos do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae), exigindo planejamento específico conforme ressalta o presidente Valdeci Fernandes Júnior: “O município de Itabira tem mais de 100 comunidades. A zona rural, nós estamos também com esse radar preocupado. Começa a secar as nascentes. Nós temos caminhão-pipa que tem abastecido na medida do possível, mas são situações que a gente não consegue, não tem estrutura, não tem orçamento para atender todo mundo”, lamentou.
Em bairros periféricos urbanos, a ausência de rede tratada regular obriga moradores a improvisarem soluções cotidianas, como desabafou Fernanda, moradora do bairro Conceição, durante o programa Pontal Comunidade, na Rádio Pontal: “A gente teve muito tempo comprando caminhão pipa de água para abastecer nossas caixas. Eu uso esses litros de refrigerante pet para a gente buscar água, porque não temos água tratada aqui. A gente usa cisterna, mas ela não é apropriada para consumo humano”, desabafou a moradora.
A autarquia esclareceu que a expansão da rede pública para novas localidades rurais e urbanas mais afastadas exige estudos prévios de viabilidade e dimensionamento dos mananciais, garantindo que o suprimento contratado seja contínuo antes da instalação oficial dos hidrômetros nas casas.
Atualmente, o fornecimento por caminhões-pipa prioriza unidades essenciais de saúde, lar de idosos e famílias em situação de extrema vulnerabilidade ou com pessoas acamadas. A comunidade aguarda a regularização de convênios para ampliação da malha de distribuição em áreas sem infraestrutura. Moradores de distritos como Ipoema e Senhora do Carmo, onde os sistemas de medição e captação já estão construídos, recebem suporte constante de engenharia para evitar paralisações prolongadas durante a estação seca do ano, é o que garantiu o presidente da autarquia.