Por Marcello Ambrósio
O avanço das doenças respiratórias tem provocado reflexos imediatos nas unidades de saúde de Belo Horizonte e da região metropolitana neste início de outono. O Hospital Infantil João Paulo II, uma das principais referências pediátricas da capital mineira, registrou um salto de 65% na demanda por pronto atendimento e um crescimento de 38% nas internações em comparação ao período de baixa sazonalidade. O cenário é marcado pela alta incidência de casos de bronquiolite, asma, pneumonia e outras inflamações das vias aéreas, o que obrigou a unidade a reforçar sua estrutura com a abertura de novos leitos de UTI e enfermaria, além da contratação emergencial de 150 profissionais de saúde para dar suporte à equipe.
Em Belo Horizonte, embora a prefeitura afirme que a rede municipal ainda suporta a demanda sem pressão crítica imediata, os dados revelam que o número de atendimentos por problemas respiratórios quase dobrou entre fevereiro e março, saltando de cerca de 26 mil para quase 50 mil casos mensais. Atualmente, a maior procura tem vindo de adultos jovens, na faixa entre 20 e 39 anos. Como estratégia de contenção, o município antecipou a campanha de vacinação contra a gripe e mantém um plano de contingência para a abertura gradual de novos postos de assistência caso a curva de contágio continue subindo nos próximos meses, período considerado o pico sazonal do vírus.
A situação é ainda mais delicada em Contagem, onde a prefeitura decretou oficialmente situação de emergência em saúde pública. O município já contabiliza centenas de internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) e registrou 21 óbitos relacionados a complicações respiratórias somente neste ano. Com o decreto, a administração municipal ganha agilidade para realizar compras de insumos e contratações sem a necessidade de processos licitatórios longos, buscando acelerar o atendimento para os grupos mais vulneráveis, como crianças e idosos. Enquanto isso, o governo estadual monitora outras unidades da rede Fhemig para garantir que o suporte logístico e médico acompanhe a evolução do quadro em toda a Grande BH.
