Por Marcello Ambrósio
Minas Gerais consolidou-se no topo da “lista suja” do trabalho escravo no Brasil após a inclusão de 36 novos empregadores mineiros na atualização divulgada nesta semana. O estado agora soma 122 nomes no cadastro federal, abrangendo desde explorações em fazendas de café e plantações de cebola até o serviço doméstico em áreas de alto poder aquisitivo. Nos últimos dois anos, as operações de fiscalização resgataram mais de mil trabalhadores em território mineiro, o que representa uma média alarmante de quase um resgate por dia, evidenciando a persistência de práticas degradantes em diversos setores da economia estadual.
Os flagrantes recentes chamam a atenção pelo contraste geográfico e social. Em Belo Horizonte, mulheres foram resgatadas de condições análogas à escravidão em residências nos bairros nobres de Lourdes e Belvedere. Já no interior, o cenário descrito pelos fiscais é de desolação. Em uma plantação de cebolas em Tapiraí, 41 pessoas foram encontradas trabalhando sob sol escaldante, sem qualquer equipamento de proteção ou área de descanso. Situações semelhantes foram registradas em uma fazenda de café em Patrocínio e em um sítio em Igarapé, onde direitos básicos e verbas trabalhistas eram sistematicamente negados às vítimas.
Diante do cenário, o Ministério Público do Trabalho em Minas Gerais anunciou que intensificará a responsabilização jurídica dos envolvidos. O procurador-chefe do órgão informou que serão instauradas ações civis públicas e termos de ajuste de conduta para garantir o pagamento das indenizações devidas e punir criminalmente os infratores. Para as autoridades do trabalho, a manutenção de Minas Gerais no topo deste ranking negativo é um reflexo direto da impunidade, reforçando a necessidade de uma atuação mais rigorosa para combater a indignidade humana que ainda persiste tanto no campo quanto nos centros urbanos.
