Por Marcello Ambrósio
Uma investigação da Polícia Federal revelou, nesta quarta-feira, um complexo esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 1,6 bilhão e resultou na prisão dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo, além de influenciadores como Raphael Sousa Oliveira, da página Choquei, e Chrys Dias. O desdobramento da operação foi possível graças à análise de dados extraídos do iCloud de Rodrigo de Paula Morgado, contador do grupo, cujos arquivos haviam sido obtidos em investigações anteriores de 2025. O material armazenado na nuvem serviu como um mapa detalhado para os agentes, expondo conversas, contratos, registros societários e comprovantes financeiros que ligavam artistas e produtores de conteúdo a uma rede de bets ilegais, rifas clandestinas e tráfico internacional de drogas.
De acordo com as autoridades, MC Ryan SP é apontado como um dos líderes e principais beneficiários da organização, utilizando suas empresas do setor de entretenimento para misturar receitas legítimas com valores oriundos de atividades criminosas. A investigação indica que o artista contava com o apoio de operadores financeiros e “testas de ferro” para realizar blindagem patrimonial e ocultar bens de luxo, como aeronaves, embarcações e joias — entre elas, um colar com a imagem de Pablo Escobar apreendido em sua residência. Já MC Poze do Rodo foi preso no Rio de Janeiro sob a suspeita de integrar a engrenagem financeira do esquema, utilizando gravadoras e editoras para fragmentar e redistribuir recursos obtidos ilegalmente.
O esquema também envolvia uma forte estrutura de mídia e marketing digital. A Polícia Federal afirma que influenciadores e páginas de grande alcance eram remunerados para promover plataformas de apostas e rifas, além de gerenciar a imagem pública dos envolvidos. Raphael Sousa Oliveira, da Choquei, foi identificado como operador de mídia da organização, recebendo valores para mitigar crises de imagem e divulgar conteúdos favoráveis aos líderes do grupo. Diante da gravidade dos fatos, a Justiça determinou o bloqueio de ativos que somam R$ 1,63 bilhão, incluindo criptomoedas em diversas corretoras. Enquanto as defesas dos artistas alegam inocência e afirmam que as transações possuem origem comprovada, a PF segue analisando novos dados colhidos para identificar outros braços da instituição financeira clandestina.
