Por Tatiana Santos
O que começou como um sonho compartilhado nas praças de Itabira, enfrentando sol e chuva com apenas uma caixa de som, se firmou como um projeto independente de danças urbanas. Fundado em 2022 pela artista, diretora e coreógrafa Karem Daynide, em parceria com a produtora Simone Martins, o Grupo de Danças Urbanas Art & Move completa quatro anos transformando a realidade cultural de jovens locais. Hoje conta com um elenco de 16 profissionais, sendo 15 bailarinos nos palcos, além da produtora no comando da logística e bastidores.
O projeto nasceu do desejo de dar continuidade à formação artística de adolescentes que já haviam passado por oficinas e projetos sociais da cidade. No início do grupo, os primeiros integrantes eram jovens de 15, 16 e 17 anos. Na época, o projeto acolhia participantes com a idade mínima a partir de 14 anos, e exigia, inclusive, bom desempenho e frequência regular na escola para que pudessem permanecer nas atividades.
Com o tempo, devido ao desenvolvimento artístico do grupo e à busca por um trabalho mais avançado e profissional, a faixa etária foi elevada e a idade mínima passou a ser de 16 anos. Essa mudança somou fatores como maior disciplina e responsabilidade. O grupo funciona de maneira mista, composto por rapazes e moças. “A gente vê essa vontade de continuar praticando, de continuar dançando. Juntamos tudo o que estava acontecendo no momento para acolher os jovens e também formar um grupo de alta performance com bailarinos profissionais”, relembra Karem.
Crescimento que trouxe reconhecimento
A trajetória do coletivo é marcada por superar a falta de estrutura inicial com união e persistência de seus membros. Foram ensaios improvisados em bairros e praças, o que levou o Art & Move a crescer de forma independente até atrair os olhares do comércio de Itabira. Hoje, o projeto é apoiado por uma rede de patrocinadores e incentivadores culturais, que reconhecem o impacto do trabalho sociocultural desenvolvido pelo grupo na comunidade.
Para os integrantes, fazer parte do coletivo vai muito além do aprendizado técnico de estilos como o hip hop. A dançarina Roberta da Cruz relata o impacto pessoal e o sentimento de comunidade gerado pelos ensaios e viagens: “Mudou muito em relação a estudo e ao conhecimento das danças urbanas. A gente acaba aprendendo a lidar com mais pessoas de diferentes jeitos, e através das viagens que o grupo faz, conhecemos novas culturas e compartilhamos o que cada um sabe. Isso acaba criando um vínculo familiar muito forte e viramos uma grande família”, declara. Dentre os espetáculos anteriores já apresentados pelo grupo, estão Showcase e Serenity.