Por Tatiana Santos
O mercado musical brasileiro passa por transformações frequentes, mas o espaço ocupado por ritmos populares como o sertanejo ainda coloca desafios aos artistas que escolhem caminhar por outros estilos. Em Itabira, músicos locais buscam garantir espaço em festas e estabelecimentos apostando no repertório voltado ao pop rock e à MPB. Para alcançar o publico, a saída encontrada por muitos artistas tem sido aliar a dedicação aos ensaios com o uso estratégico das plataformas digitais.
Construir uma agenda de shows exige flexibilidade para agradar a públicos variados, sendo que os eventos privados garantem maior proximidade com a plateia. O cantor itabirano Marlon Oliveira é um exemplo dessa adaptação ao mercado. Ele comenta sobre as dificuldades comerciais em sua profissão: “O principal desafio é realmente agradar a todo o público, porque o sertanejo ganhou um espaço absurdo e é a área artística mais contratada. Já aconteceu comigo de a pessoa marcar um evento e depois desmarcar porque resolveu ter um sertanejo e está tudo bem, faz parte”, diz, com resiliência.
A preferência do público jovem por estilos urbanos e sertanejos faz com que o agendamento de datas exija um esforço constante de divulgação, segundo Marlon.
A transição entre o formato solo e a apresentação em grupo também altera a dinâmica dos shows e exige adaptações técnicas do artista. Para conseguir esse aperfeiçoamento, ele frequenta a Escola de Música Aprimorart. Enquanto o acústico atende eventos mais tranquilos, a presença de instrumentos como bateria e baixo traz uma energia diferente e atrai contratantes que buscam festas mais animadas. Porém, as limitações financeiras dos contratantes muitas vezes definem a estrutura que subirá ao palco.

Sem perder a essência
O músico destaca sua preferência e fidelidade à sua essência, apesar do mercado atual com maior apelo comercial por outros gêneros: “O interesse começou a surgir porque eu via os solos da guitarra, o peso da bateria, o contrabaixo pesando também na música. Isso começou a dar um impacto muito forte. Sabe aquele impacto que você sente quando está escutando uma música e vem do peito para fora? É aquilo ali que eu comecei a sentir”, relembra.
Mesmo diante de eventuais cancelamentos em favor de outros ritmos, a manutenção de um trabalho estruturado garante um público fiel. Ao planejar os próximos passos na carreira, o artista reforça a importância da evolução técnica constante e o sonho de construir uma estrutura de trabalho, destacando o impacto de suas composições no público: “Eu ainda não tenho minhas músicas autorais, mas gostaria de escrever. Estourar com a música dos outros é bom, mas você chegar num show, tocar sua música e ver aquela legião de gente cantando algo que você criou eleva a alma ao estado máximo”, projeta o músico.