Por Marcello Ambrósio
A Gaesa (Grupo de Administración Empresarial S.A.) consolidou-se como o verdadeiro motor da economia cubana, operando como um conglomerado bilionário sob o controle das Forças Armadas e de um círculo restrito ligado à família de Raúl Castro. Enquanto a população da ilha enfrenta crises severas, com apagões e falta de alimentos, essa holding gerencia cerca de 40% do PIB do país em total obscuridade, sem publicar balanços ou se submeter a auditorias estatais. De acordo com documentos vazados em 2024, a empresa detém ativos superiores a US$ 17,9 bilhões, uma fortuna que supera as reservas internacionais de muitos países vizinhos e contrasta drasticamente com a falência financeira do Estado cubano.
O poder da Gaesa reside no monopólio dos setores mais lucrativos que geram divisas estrangeiras. Ela controla desde a rede hoteleira de luxo e o aluguel de veículos até a gestão de remessas enviadas por exilados e as rentáveis missões médicas internacionais. O grupo opera com margens de lucro atípicas, próximas de 38%, beneficiando-se da ausência de concorrência e de um sistema onde recebe em dólares, mas remunera seus custos e funcionários em pesos cubanos desvalorizados. Na prática, a holding funciona como um “Estado paralelo” que detém as reservas reais de Cuba, mas as reinveste prioritariamente em hotéis imponentes em vez de modernizar a rede elétrica ou a produção agrícola do país.
A estrutura de comando da Gaesa é caracterizada pelo hermetismo. Após a morte do general Luis Alberto Rodríguez López-Calleja, ex-genro de Raúl Castro e principal articulador do grupo, a presidência passou para a generala Ania Guillermina Lastres, embora analistas apontem que as decisões estratégicas permanecem no núcleo familiar dos Castro. Esse modelo de gestão militarizada permite que o regime mantenha o controle político sobre os recursos financeiros mais importantes da ilha, protegendo o capital de sanções e do escrutínio público, ao mesmo tempo em que aprofunda o abismo entre a elite dirigente e a realidade de extrema pobreza vivida pela maioria dos cubanos.
