Por Marcello Ambrósio
Uma operação conjunta entre o Ministério Público da Bahia e a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil fluminense causou pânico e interdições na Zona Sul do Rio de Janeiro na manhã desta segunda-feira. O objetivo da ação era capturar lideranças da facção Comando Vermelho que comandam o tráfico de drogas no sul da Bahia e estavam escondidas na comunidade do Vidigal. Durante o cerco policial, criminosos atravessaram um ônibus e contêineres de lixo na Avenida Niemeyer para dificultar o acesso das equipes, provocando o fechamento da via por mais de uma hora. O tráfego só foi normalizado por volta das 6h50, após a chegada de um comboio da Polícia Militar que passou a escoltar os motoristas que circulam entre o Leblon e São Conrado.
O confronto resultou em um cenário de guerra que deixou cerca de 200 turistas ilhados no topo do Morro Dois Irmãos. O grupo, que havia subido a trilha durante a madrugada para observar o nascer do sol, ficou impedido de descer devido ao intenso tiroteio e aos voos rasantes de helicópteros da polícia sobre a comunidade. Segundo relatos de visitantes, guias turísticos orientaram todos a permanecerem abaixados no cume até que a situação fosse controlada. Somente após as 7h20 os turistas conseguiram iniciar a descida, sendo escoltados por veículos blindados e agentes da Core em meio a um clima de forte tensão.
As investigações apontam que o alvo principal da operação era Edinaldo Pereira Souza, conhecido como “Dadá”, líder do tráfico nas regiões de Caraíva e Trancoso. O traficante, que fugiu de um presídio baiano em 2024, estaria utilizando uma casa alugada no Vidigal para realizar festas e receber familiares neste feriado. Embora Dadá tenha conseguido escapar por uma passagem secreta no momento da incursão, os agentes prenderam Núbia Santos de Oliveira, esposa de outro traficante da mesma facção, sob a acusação de atuar na lavagem de dinheiro da organização criminosa. A polícia continua realizando buscas na região para localizar os foragidos e desarticular a rede de apoio que permite a permanência de criminosos de outros estados em comunidades do Rio.
