A empresa Sistemma Serviços Urbanos, responsável pela coleta de resíduos nas regiões Leste, Nordeste e Noroeste de Belo Horizonte, se comprometeu a atender às principais reivindicações dos garis, após a repercussão da paralisação que mobilizou a categoria nos últimos dias. O fim da paralisação, no entanto, ainda depende do aval do Ministério do Trabalho. A informação foi confirmada pelo gari Laender Rodrigues, um dos representantes do movimento, após o encerramento da assembleia realizada nesta quarta-feira (21/1) entre trabalhadores e representantes da prestadora.
Segundo Laender, a negociação com a empresa foi concluída com a aceitação das demandas apresentadas pelos trabalhadores. O documento do acordo foi assinado por ambas as partes e será encaminhado ainda nesta tarde ao Ministério do Trabalho para assinatura e finalização. A previsão é que a audiência com o Ministério ocorra às 15h desta quarta (21).
“A gente necessita muito de contratações de motoristas. A empresa, conforme a repercussão, está cooperando com a gente. Conseguimos uma vitória grande: o dono da empresa assinou a ata com todas as reivindicações que pedimos. Agora só falta o carimbo do doutor [representante do Ministério do Trabalho] para colocar tudo em paz”, afirmou.
De acordo com o gari, a empresa já iniciou medidas práticas, como a contratação de novos profissionais e a normalização do fornecimento de equipamentos e peças para manutenção dos caminhões. “Os garis estão sendo contratados, motoristas também. As peças não param de chegar na empresa. Eles estão cumprindo tudo aquilo que a gente propôs. Eu acho que não precisava ter chegado a esse ponto, porque tentamos várias vezes dialogar”, disse.
Ao comentar sobre a rotina da profissão, o gari relembrou as condições enfrentadas diariamente pelos trabalhadores da limpeza urbana e destacou a atuação da categoria durante a pandemia da Covid-19. “Enquanto muita gente estava no conforto de casa, chovendo ou com o sol rachando, nós estávamos na luta, correndo atrás de caminhão. Na Covid, a gente estava na rua, na linha de frente, mesmo sem convênio médico”, afirmou.
A ausência de plano de saúde, segundo ele, é uma das principais reivindicações do movimento e está próxima de ser atendida. Segundo apurado, são pelo menos 12 anos sem o benefício. “É inaceitável não ter convênio médico. Essa é uma das maiores lutas que estamos travando e acredito que está 99% certo de acontecer. Falta só mais um passo dessa caminhada longa”, disse.
Laender também criticou a sobrecarga de trabalho e lembrou que a legislação não permite que a coleta seja feita com equipes reduzidas. “É proibido trabalhar em três. Já teve greve em 2017 por causa disso e agora está acontecendo de novo. Parece que acham que nosso trabalho é brincadeira, mas a gente sabe o risco que é correr atrás de caminhão”, afirmou.
Por fim, ele destacou que as novas contratações devem evitar que a situação volte a se repetir. “Essa foi uma das reivindicações que fizemos. A empresa já contratou vários garis e acredito que isso não vai acontecer mais. Não pode acontecer mais, e a gente não vai aceitar”, concluiu.
Fonte: O Tempo