Por Marcello Ambrósio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou a aliados, em reunião no Palácio da Alvorada na noite desta quarta-feira (29), que não abrirá mão de indicar um novo nome para o Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação ocorre após o Senado Federal rejeitar a indicação de Jorge Messias, atual advogado-geral da União, por um placar de 42 votos contrários e apenas 34 favoráveis — um evento que não ocorria na política brasileira desde 1894.
Durante o encontro informal, que contou com a presença do próprio Messias, Lula demonstrou tranquilidade com o resultado, mas reafirmou que a escolha de um novo substituto para a Corte deve ocorrer nas próximas semanas. O Planalto avalia que a derrota foi fruto de falhas graves na articulação política e traições dentro da própria base aliada, evidenciadas pela incapacidade de antecipar o resultado negativo no plenário. Articuladores governistas tentaram adiar a votação quando o risco de rejeição tornou-se claro, mas o pedido não foi acatado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Os bastidores indicam que o episódio aprofundou o desgaste entre o Executivo e o Legislativo. Houve menções diretas a lideranças como Rodrigo Pacheco (PSB-MG), citado como um possível voto contrário ao indicado. Diante da pressão da oposição, que articula para segurar a vaga até após as eleições ou para emplacar nomes como Rogério Marinho em 2027, aliados de Lula já sugerem que a nova indicação seja de uma mulher. A estratégia visaria “emparedar” o Senado e a oposição, dificultando uma nova rejeição por razões políticas e conferindo um caráter de representatividade à escolha.
