Por Marcello Ambrósio
A poucos dias de seu megashow gratuito na praia de Copacabana, marcado para o próximo sábado (02/05), Shakira vive um momento de consagração que contrasta drasticamente com sua primeira vinda ao Brasil, em 1997. Se hoje a colombiana é uma estrela global que move multidões e cobra ingressos que podem chegar a R$ 1.000 em turnês convencionais, seu início no mercado brasileiro foi marcado por uma “peregrinação” intensa e preços populares. Um anúncio de 1997, que viralizou recentemente, recorda uma apresentação da cantora em Uberlândia (MG) com ingressos a apenas R$ 5 — valor que, corrigido pela inflação atual, equivaleria a cerca de R$ 43.
Essa estratégia de “pé na estrada” foi orquestrada pela Sony Music, que investiu US$ 2,8 milhões na época para romper a resistência do mercado nacional. Para conquistar o público brasileiro, Shakira demonstrou uma disposição incomum: aprendeu português e participou de programas de auditório icônicos, como o Domingo Legal, onde chegou a sambar e atuar como jurada do quadro “A Banheira do Gugu”. Além da TV, uma parceria agressiva com a rádio Jovem Pan — que recebia US$ 1 por cada disco vendido — foi fundamental para que ela ultrapassasse a marca de um milhão de cópias de Pies Descalzos comercializadas no país.
Luiz Calainho, então diretor de marketing da gravadora, destaca que a dinâmica da indústria fonográfica nos anos 90 permitia investimentos milionários devido à alta rentabilidade dos CDs, algo impensável na era do streaming. Hoje, aos 49 anos e com um visual loiro consolidado, Shakira retorna ao Rio de Janeiro como o nome principal do projeto “Todo Mundo no Rio”. O evento gratuito em Copacabana não é apenas um presente aos fãs, mas o ápice de uma relação de quase 30 anos com um país que a acolheu quando ela ainda era uma jovem promessa de cabelos pretos disposta a cantar em exposições agropecuárias para se tornar um ícone mundial.
