Por Tatiana Santos
A hora do almoço ou do jantar deveria ser um momento de união em família e descoberta do paladar para as crianças. No entanto, a pressa do dia a dia e o uso das telas têm transformado a mesa em um local de distrações e negociações perigosas. Especialistas alertam que o hábito de distrair os filhos com celulares ou tablets para que eles comam compromete muito o desenvolvimento da percepção corporal dos pequenos.
De acordo com a nutricionista infantil, que atende em Itabira, Camila Caetano, o uso de eletrônicos anula a experiência real com a comida. A criança perde a capacidade de processar o que está consumindo e de identificar o momento em que está satisfeita: “O que você está comendo? A sensação ali, o sabor dos alimentos, tudo passa batido porque a sua percepção é só a tela. Além disso, a criança acaba que come mais rápido. Então, o fato dela comer mais rápido, ela não percebe aquela sensação de saciedade, não percebe os sinais do corpo”, explica.
Outro comportamento muito comum entre os pais é a barganha, ou seja, prometer o doce ou a sobremesa caso a criança limpe o prato ou coma os legumes. Por mais que pareça uma solução rápida e eficaz no calor do momento, a estratégia gera um efeito contrário prejudicial com o tempo, pois coloca o alimento saudável na posição de castigo e o doce na posição de prêmio. Dra. Camila defende que essa associação distorce a relação da criança com a nutrição, a impedindo de entender o valor real dos alimentos: “A longo prazo isso atrapalha, porque parece que a sobremesa recompensa. Então a sobremesa é bom e o legume é a parte ruim. E o importante é que a criança goste de comer o legume, a criança tenha a percepção de que é importante”.
O que fazer?
Para reverter esse ciclo de negociações e distrações digitais, a dinâmica familiar precisa mudar. As crianças têm o que se chama de neurônios-espelho muito ativos, o que significa que elas tendem a reproduzir o comportamento dos pais. Não é possível exigir que um filho aceite vegetais se a rotina da casa é baseada em produtos industrializados ou se os adultos comem olhando para as suas próprias telas. Em vez de pressionar ou brigar, a recomendação é integrar a criança no processo e usar a imaginação.
Algumas estratégias prática para transformar a mesa em um ambiente positivo incluem convidar a criança para ajudar a lavar as verduras ou montar o prato, criar formatos de bichinhos com os alimentos ou associar os ingredientes aos super heróis ou personagens favoritos do filho. Além disso, é necessário compreender que a decisão final de comer deve ser da criança, permitindo que ela explore o prato no seu próprio tempo, sem ansiedade.