Por Tatiana Santos
O Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) é uma das principais ferramentas de cooperação internacional do governo brasileiro, oferecendo a cidadãos de países em desenvolvimento a chance de fazer o ensino superior gratuitamente em instituições federais. Desenvolvido em parceria com nações da África, América do Sul e Ásia, o programa utiliza a rede de embaixadas e consulados para selecionar candidatos com base em seu mérito escolar.
O processo seletivo avalia rigorosamente o histórico dos estudantes em seus países de origem. Plácido Mbala, jovem da Guiné Equatorial, selecionado para cursar Engenharia Mecânica na Universidade Federal de Itajubá (Unifei), em Itabira, explica sobre o programa e seu processo até integrar a universidade. Ele relembra como ingressou na iniciativa: “No processo se faz uma prova, uma avaliação das notas, das matérias ou a folha acadêmica do estudante. Aqueles que têm as melhores notas são selecionados”.
O PEC-G é uma modalidade de bolsa parcial, não cobrindo todos os custos, ou seja, a manutenção básica no país costuma ficar a cargo das famílias dos participantes, exigindo planejamento financeiro, como esclarece Plácido: “O programa é para bolsa parcial, ou seja, o programa só te oferece uma vaga na universidade, mas você mesmo, como estudante, tem que se virar. A sua família tem que te ajudar para manter as despesas aqui no Brasil. Então, geralmente é um programa para, vamos dizer, pessoas de renda média”. Para reduzir um pouco do impacto financeiro aos participantes, o Ministério da Educação oferece um suporte focado especificamente no custeio de moradia, conhecido como Bolsa Promisaes, que tem valor médio de R$ 622,00.
Distribuição dos estudantes entre as instituições
A distribuição dos estudantes entre as universidades brasileiras é feita pelo próprio programa, que direciona os candidatos de acordo com as vagas disponíveis e o prestígio das instituições em cada área. No caso das engenharias, a Unifei desponta como destino natural de excelência. A regularização migratória é outra exigência obrigatória, sendo o registro na Polícia Federal a chave para usufruir dos direitos civis e dos serviços públicos, como de saúde.
A chegada ao Brasil também impõe desafios logísticos devido à extensão territorial do país que exige tranquilidade dos intercambistas. Plácido detalha a complexidade de sua viagem inicial: “Os maiores desafios foram quando eu cheguei ao Brasil pela primeira vez. Eu tive que viajar até Manaus. O programa me enviou primeiro para Manaus, para depois me enviar para Itabira”, comentou.
Outros estudantes que estudam na Unifei por meio do programa, são os angolanos Martinho Jolela Chingui, que cursa Engenharia de Controle e Automação, e Guilherme Manuel, além da Janaina Monteiro, de Cabo Verde.