Por Marcello Ambrósio
A Polícia Federal revelou conversas que indicam um ajuste milionário a título de corrupção entre Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. As mensagens, que fundamentaram a prisão de Costa na nova fase da Operação Compliance Zero, mostram a negociação de propriedades de alto padrão avaliadas em R$ 146 milhões. Segundo os investigadores, o conteúdo das conversas surpreendeu pela naturalidade com que os envolvidos tratavam de temas como lavagem de dinheiro e o recebimento de ativos em troca de facilitar negócios com o banco público.
Os diálogos indicam que os imóveis de luxo funcionavam como um pagamento estruturado, com Paulo Henrique chegando a visitar unidades em São Paulo acompanhado da esposa para definir quais atenderiam melhor aos seus interesses pessoais e familiares. Em um dos trechos, o ex-executivo demonstra preocupação com o “parâmetro” dos apartamentos visitados e é incentivado por Vorcaro a conhecer uma cobertura específica para “trazer a família”. Enquanto cobrava a entrega física das propriedades, o então presidente do BRB tranquilizava o empresário sobre a celeridade em agendas internas do banco, afirmando estar focado em resolver pendências corporativas favoráveis ao grupo Master.
Para o Supremo Tribunal Federal, o material probatório demonstra que Paulo Henrique Costa agia como um mandatário de interesses privados dentro de uma instituição pública, comprometendo a governança do BRB. As mensagens revelam ainda uma pressão por resultados por parte de Vorcaro, que questionava se o executivo ainda estava comprometido com o “deal”, ao que Costa respondia estar trabalhando incansavelmente para cumprir o combinado. A investigação agora entra em uma fase de análise de possíveis colaborações premiadas, enquanto as autoridades buscam rastrear a totalidade dos recursos desviados e a participação de outros agentes no esquema financeiro.
