Por Tatiana Santos
A história de Anderson Cleiton, conhecido apenas como Cleiton, começa sob as luzes e o encantamento do circo em São João del Rey. Membro de uma família circense, ele parecia destinado à alegria. Mas aos 19 anos a vida que deveria ser de sorrisos deu espaço a um rumo sombrio: o primeiro contato com a cocaína aos 19 anos, que deu início à sua dependência que duraria um total de 28 anos. Como contou em entrevista à Rádio Pontal na última sexta-feira (08/05), a droga consumiu bens materiais, desde lojas de móveis a frotas de caminhões, e o convívio com a esposa e os quatro filhos.
O ponto de virada ocorreu em abril de 2024, após perder um emprego estável e tentar contra a própria vida. Um copo de veneno que ele iria tomar dentro do carro bateu no volante e entornou antes de ser ingerido serviu para ele como um despertar: “Falei ‘não é para eu morrer. Essa não é a hora. Deus tem uma proposta muito grande na minha vida’. Essa foi virada a chave. Falei ‘agora eu tenho que buscar minha recuperação, pois eu já não aguento mais fazer meus pais sofrerem'”, relembrou.
Ele chegou a ficar internado alguns dias em uma clínica em Juiz de Fora, mas ele buscava um local onde pudesse ter acesso ao Evangelho. Até que em julho de 2024, conseguiu uma vaga para internação em uma unidade da Fazenda Esperança na cidade e depois teve transferência para Itabira. “La é considerada a fábrica de homens novos. Ali, quem aceita a recuperação, está no melhor lugar para se tratar”.
Uma nova vida como ‘pescador de homens’
Hoje, recuperado através da Fazenda da Esperança, em Itabira, ele trabalha como motorista de transporte coletivo na Vita (antiga Cisne). Cleiton celebra suas vitórias nove meses após deixar a comunidade terapêutica: o retorno ao trabalho, a compra de um carro e acima de tudo, a sobriedade diária. “A droga é tão viciante que você larga até filhos e netos. Hoje, o que me sustenta é o Evangelho”, afirma. Morando atualmente em Itabira e com desejo de permanecer no município, ele busca reconstruir os laços de confiança com a família e já atua como um “pescador de homens”, ajudando outras pessoas a encontrarem o caminho da luz e sobriedade que ele reencontrou.