Por Tatiana Santos
Apesar de o câncer de cabeça e pescoço ser mais frequente em pessoas com mais de 60 anos, médicos e dentistas vêm percebendo uma mudança importante no perfil de quem desenvolve a doença. Durante entrevista na Rádio Pontal, o cirurgião-dentista Max Cota alertou para a presença de tumores em pessoas com menos idade: “Hoje, assustadoramente, nós estamos tendo cânceres de cabeça e pescoço em pacientes mais jovens, principalmente relacionados ao vírus HPV”, explicou. Por essa razão, a vacinação contra o HPV e o uso de preservativos nas relações sexuais se tornaram cuidados essenciais de prevenção.
A existência de diferentes tipos de tumor exige formas específicas de tratamento para cada caso. Doenças como o carcinoma adenoide cístico, que é um câncer raro que atinge as glândulas produtoras de saliva, mostram a dificuldade de identificar tumores que avançam em silêncio. Por estarem localizados em regiões delicadas do rosto e do pescoço, o acompanhamento deve reunir vários especialistas: “Na odontologia e na medicina temos profissionais para identificar a doença, mas o tratamento precisa de uma equipe com nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e cirurgiões”, afirmou.
Diante de casos raros ou suspeitos, a biópsia (exame em que se retira um pequeno trecho da alteração para análise) é o único caminho seguro para confirmar se há um tumor maligno. O relato de pacientes que passaram pelo problema reforça que, mesmo quando exames de imagem parecem normais ou pouco preocupantes, a verificação no laboratório é fundamental para planejar a cirurgia adequada e remover a lesão com segurança.
Quando a doença é descoberta em estágios mais adiantados, tornando necessárias cirurgias maiores no pescoço ou próximo aos nervos da face, o tratamento costuma combinar cirurgia, radioterapia e quimioterapia. Essa junção de recursos busca eliminar as células doentes, e ao mesmo tempo, proteger funções importantes do dia a dia, como a fala, a alimentação e a qualidade de vida do paciente.